Todos continuam surdos

Fim de ano é quase sempre a mesma coisa: casas enfeitadas, presentes, preparação da ceia, a polêmica das uvas passas, especial de Roberto Carlos na Globo… Espera aí – Roberto Carlos + Natal me lembra uma coisa diferente. Não, não é Emoções que me vem à mente. É Todos estão surdos.

Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos
E olhar pra dentro de si mesmo
Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo, volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Outro dia, um cabeludo falou:
“Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles.”
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!
Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
“Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade”
Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo, volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Essa música, composta por Roberto e Erasmo Carlos em 1971, continua fazendo sentido mesmo mais de 40 anos depois. De fato, as pessoas tem se esquecido cada vez da mensagem da Cruz. Prova disso é que o discurso da “verdadeira mensagem do Natal” precisa ser repetido ano após ano.

Muita gente fala sobre paz, mas esquece que Jesus não a dá como o mundo dá (cf. João 14:27). “Muita gente não ouviu porque não quis ouvir. Eles estão surdos!” E continuam surdos, cegos e com seus corações endurecidos.

Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram.
(Romanos 1:19-21)

Só que há um problema na letra da canção. Ela clama: “Meu Amigo, volte logo, venha ensinar meu povo que o amor é importante, vem dizer tudo de novo”. Porém, tudo que era pra ser ensinado, já o foi. Tudo que havia de ser revelado, assim foi feito e consta nas Sagradas Escrituras, as quais nos levam a conhecer a Deus e como devemos servi-lO. A própria criação aponta para o Seu Criador (cf. Salmo 19:1). E cabe à Igreja cumprir sua missão de pregar a mensagem do evangelho a toda criatura. Então, não, Ele não voltará para tornar a dizer o que já disse. Ele voltará para julgar o mundo e levar os Seus.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Independência ou morte?

Não, esse não é um texto em celebração ao sete de setembro. Tampouco, é um texto sobre política. Mas, lanço mão da célebre frase de Dom Pedro I, para refletir um pouco sobre nossos anseios e necessidades enquanto cristãos.

Independência é um tema bem corriqueiro em nosso contexto social. “Estude muito, trabalhe, para se tornar independente” é um conselho que ouvimos muito por aí, não é mesmo? É um desejo inato, uma busca constante. Chegar numa fase da vida em que somos donos do nosso nariz, não precisamos dar satisfações a qualquer pessoa, e podemos fazer nossas escolhas, parece ser o ápice de nossas conquistas.

Depender de outras pessoas pode mesmo ser bem desagradável, às vezes, mas a verdade é que vivemos em comunidade, e sendo assim, sempre precisaremos do outro, inevitavelmente. Mas, nós temos essa mania egoísta de achar que tudo é sobre nós mesmos, ainda que isso passe despercebido.

Porém, o desejo por independência vai além.

Desejamos ser independentes de Deus, não raras vezes. Queremos assumir o controle, pensamos ser capazes de discernir o que é bom ou não, o que devemos ou não fazer. E erramos. Cada vez que deixamos a nossa vontade de caminhar sozinhos vir à tona, sofremos as consequências da nossa imaturidade, teimosia e falta de fé.

Em contrapartida, Jesus alerta: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (cf. Mateus 16:24, Marcos 8:34, Lucas 9:23; grifo meu). O apóstolo Paulo disse: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20) e ainda: “para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21).

Trocando em miúdos: esse tal desejo por independência deve “morrer”.

Para desfrutarmos de liberdade, é preciso abrir mão de certas vontades, é necessário renunciarmos o governos de nossas vidas, e nos submetermos ao suave jugo de Cristo.

Independência ou morte? Morte. Morte do ego.

Relacionando-se com Deus ao som de Sandy

Eu nasci nos anos 90, então, dificilmente seria diferente: passei a infância ouvindo Sandy & Júnior. Era apaixonada por eles, do tipo que sempre cantava Inesquecível no karaokê em reuniões de família, não perdia O Noviço Rebelde na Sessão da Tarde só por causa deles, e passou anos com um pôster de Acquaria decorando a parede do quarto – adquirido como brinde pelo ingresso do filme que eu assisti no cinema! (#revelações) Sofri com o fim da dupla, porém, ainda escuto as músicas antigas quando estou nostálgica (sou dessas), e claro que acompanho a carreira solo de Sandy. E é sobre ela que quero falar. Na verdade, quero falar sobre o quanto vejo sobre nosso relacionamento com Deus em suas composições. Já comentei em outro texto a respeito da canção “Me espera”, na qual eu ouço Jesus dizendo “tenta me reconhecer no temporal / me espera / tenta não se acostumar / eu volto já / me espera”. Mas essa não foi a primeira música da cantora que me fez enxergar um paralelo com a fé cristã.

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A graça nas coisas simples

O que te faz feliz? O que te arranca suspiros e sorrisos de orelha a orelha e deixa seu coração leve e aquecido? Quais coisas te fazem ganhar o dia? Eu espero que sejam as coisas simples. Simples, porém valiosas. Como as lembranças da infância, os momentos em família ou um reencontro com amigos de longa data. Um abraço apertado, um beijo na testa ou a recepção calorosa do seu animal de estimação. O cheiro de chuva molhando a terra seca, ou o doce aroma do café invadindo a casa toda, ou do almoço pronto bem na hora que a fome ataca. Se refrescar no calor, ou ficar o dia todo enrolado na cama no inverno. Dormir com o barulho da chuva. Assistir a um filme bom ou a sua série preferida. Se apaixonar por uma música nova, ou reencontrar aquela que você amava escutar mas não lembrava o nome. Achar dinheiro esquecido no bolso da calça ou estourar plástico bolha. Comer brigadeiro ou pedir pizza. A satisfação em terminar algo que já se queria fazer há muito tempo. O som da notificação que traz aquela mensagem que você esperou o dia inteiro. A reciprocidade dos sentimentos. Tanta coisa! Eu poderia continuar acrescentando itens a essa lista por um bom tempo. Não é preciso ir muito longe para se sentir alegre. Basta trazer à memória tudo aquilo pelo que somos gratos. Todos temos dias de bad vibes, mas essas coisas simples, porém grandiosas, são capazes de mudar nosso humor e salvar o dia que não começou tão bem. A Bíblia diz em Provérbios 15:13 que “o coração alegre aformoseia o rosto”. E quem nos dá motivos para ter um coração alegre? Quem nos proporciona vivenciar essas pequenas alegrias que vão preenchendo os espaços em nosso ser? Quem nos concede o prazer nas coisas simples (e também nas complexas) da vida? AquEle que nos concede a graça de viver. E os reflexos de Sua graça estão em toda parte, do nosso levantar ao deitar. Cada segundo de nossos dias é concedido por Ele, e por cada um deles devemos ser gratos. É Ele quem torna nosso pranto em riso (cf. Salmo 30:11) e colore até os dias mais cinzas. Eu quero viver de forma que tudo me faça lembrar da graça de Deus, de forma que tudo que me alegra aponte para o Seu amor sublime, e que até os maus momentos apontem para Sua misericórdia. Que assim seja.

Enquanto o tempo encurta os dias
Você sublinha cada detalhe
Me faz saber que a graça aponta
Pra quem tem olhos pra ver e perceber

Ah, Você faz tudo ficar mais leve
Tua beleza à luz do dia
Em cada canto
Ah, Você faz tudo ficar mais leve
Me aquecendo na noite fria
Em cada canto

O amor em três canções

Já disse Jason Mraz: “O amor é uma coisa engraçada, sempre que eu o dou, ele retorna para mim (…). Quando você ama alguém, isso volta para você”. E não é maravilhoso pensar no amor percorrendo essa via de mão dupla? Afinal, se dizemos o tempo todo que “gentileza gera gentileza”, só estamos usando uma forma diferente para dizer que amor gera amor. O mais nobre dos sentimentos segue essa lógica diretamente proporcional. Em qualquer relacionamento, é necessário que ambas as partes se amem mutuamente. Uma criança precisa receber amor desde pequena, e assim ela aprende a amar aqueles que a amam também. Deus, que é Amor, nos amou primeiro, e por isso, nós o amamos (cf. 1 Jo 4:19). Se não transbordasse amor da essência do Criador, nós sequer conheceríamos o sentimento. E “se Deus assim nos amou, também devemos nós amar uns aos outros” (1 Jo 4:11). Amar a Deus de todo nosso coração e ao próximo como a nós mesmos são os grandes mandamentos, que dão base para que os outros sejam cumpridos. O amor é ação e é também reação.  Continuar lendo

Resiliência e esperança em Me espera (Sandy ft. Tiago Iorc)

Quem assistiu ao programa Superstar no último domingo (24/04), viu que Sandy lançou uma música nova, em parceria com Tiago Iorc. A música Me espera, composta por Sandy, Tiago e Lucas Lima, já tem feito grande sucesso na internet. Além de uma letra poética e melodia doce, a canção ganhou um clipe muito bem produzido e com uma fotografia incrível. Mas, ela não entrega apenas mais uma bonita letra romântica. Assim que eu prestei atenção na composição, comentei com a minha amiga Brenda (que escreve textos maravilhosos aqui), e ela teve a mesma percepção que eu, então, decidimos escrever juntas sobre essa canção que nos fez pensar além: Como não enxergar um diálogo entre o homem enfrentando as aflições deste mundo, e Jesus prometendo sua volta? Nos acompanhe nas conclusões a que chegamos. Continuar lendo

“O Vencedor” e os “mais que vencedores”

O álbum Ventura é um dos trabalhos da banda Los Hermanos de que mais gosto. Dentre as canções, há uma que figura entre as minhas preferidas da banda: O Vencedor. Essa música (composta por Marcelo Camelo) tem um ritmo diferente, empolgante, e, sobretudo, conta uma história que sempre me instigou. Gosto de músicas que me fazem refletir a respeito do contexto da qual se propõem a tratar, e mais, me fazem pensar sobre a mensagem que eu posso extrair, sem depender da intenção do compositor, apenas por evidenciar a minha experiência de consumir aquele produto da arte.

O Vencedor fala de alguém que gosta de levar esse título. Mais que isso, alguém que gosta de ostentar esse título, por achar que é apenas isso que importa. Porém, acredito que a expressão lhe seja atribuída de forma irônica, pois, apesar do desejo, ele não é tão vencedor assim. Continuar lendo

Céline Dion e um coração grato

Rendam graças ao Senhor, pois ele é bom; o seu amor dura para sempre.
(1 Crônicas 16:34)

Gratidão é o reconhecimento por alguém que nos prestou algum favor ou benefício. A Bíblia fala muito sobre gratidão, uma vez que Deus tem se mostrado misericordioso para conosco desde antes da fundação do mundo, e continua operando grandes maravilhas na vida de Seus filhos, afinal “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados pelo Seu decreto” (Rm 8:28). Assim sendo, devemos sempre ser gratos ao Senhor. Motivos para isto nunca faltarão, e nossas palavras nunca serão o bastante para agradecer plenamente a Deus por Sua graça, amor, bondade e justiça.

Mas, talvez agradecer seja algo difícil para nós. Pedir é fácil. Muito fácil. Lembro sempre dos cultos de oração em minha igreja, nos quais há um momento para os irmãos falarem sobre seus motivos de agradecimento, e, em seguida, alguém é designado para orar em gratidão aos fatos mencionados. Nunca presenciei uma oração que fosse apenas de gratidão! Sempre temos algo a pedir para Deus, e não temos dificuldades em especificar as nossas vontades (às vezes, até passamos do ponto), mas, geralmente, nossos agradecimentos são bem generalizados.

Certa vez, atentando para a tradução da linda canção “Because You Loved Me” da cantora internacional Céline Dion, percebi que essa poderia muito bem ser uma música de gratidão a Deus por tudo que Ele nos faz. Veja bem: Continuar lendo

O que as pessoas buscam: liberdade ou solidão?

Conheci o trabalho do cantor Tiago Iorc há pouco tempo – em 2014, acredito eu, apesar de antes já ter ouvido algumas canções que foram parar nas trilhas globais. A voz suave e as letras poéticas de Iorc são muito agradáveis aos ouvidos, mas foi seu mais novo álbum Troco Likes que me fez viciar de vez no trabalho fantástico do artista. E, numa das milionésimas vezes que escutei esse álbum, a canção Liberdade ou Solidão me chamou a atenção de uma maneira diferente, e é sobre ela que quero falar hoje. (Não é raro eu ouvir uma música repetidas vezes e só perceber algo singular nela tempos depois rs.)

A canção fala sobre liberdade, coisa que todo mundo anseia a vida toda, que já inspirou tantas canções, livros e outras obras de arte. Mais que isso, Tiago traz à tona uma questão muito válida: aquilo que a gente passou o tempo todo querendo e empregando nossos esforços para conquistar era, de fato, liberdade? Bem, vamos por partes. Continuar lendo

O apocalipse – versão 5 a seco

Quantos filmes sobre o apocalipse você já assistiu? A temática é super intrigante e aguça as mentes criativas a trabalharem como seria vivenciar esse momento particular. Os enredos, geralmente, são similares, tendo como ponto de partida o arrebatamento, com pilotos de avião sendo levados durante o voo, carros desgovernados sem seus motoristas ao volante, mães perdendo seus filhos e vice-e-versa, pessoas sumindo “nas vistas” das outras, enfim.

Não quero aqui discutir visões teológicas a respeito de tais eventos, nem afirmar que a escatologia apresentada nessas produções é correta. O que me fez pensar nesse cenário foi a canção “No dia que você chegou” da banda 5 a seco com participação do cantor Chico César. A música retrata a situação caótica que se instala com a chegada de “alguém”, marcada por eventos climáticos, como neblina, nevoeiro, ventanias e temporais, pela interrupção do trânsito e das atividades em portos e aeroportos, e até pela queda do sinal de satélites e quebra da internet! Ouve aí e me diz se essa parece ou não a trilha sonora de um desses filmes apocalípticos?! Continuar lendo